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Segundo vestibular indígena da Unicamp tem 42% de abstenção; nº de candidatos presentes triplica

Por Itamarati News em 01/12/2019 às 20:10:23


Segundo Comvest, 958 pessoas fizeram a prova em seis cidades de quatro estados, número três vezes maior que em 2018. Índice de abstenção se igualou ao primeiro vestibular. Questões foram contextualizadas de acordo com a realidade da população indígena. O segundo vestibular indígena da Unicamp, realizado neste domingo (1º) em seis cidades, teve praticamente o mesmo índice de abstenção que o ano passado, com 42%. Dos 1.675 inscritos, 958 compareceram, de acordo com a coordenação da Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest). Apesar disso, o número de candidatos que fizeram a prova este ano triplicou em relação a 2018.

A prova foi aplicada em Campinas (SP), Bauru (SP), Caruaru (PE), Dourados (MS), São Gabriel da Cachoeira (AM) e Tabatinga (AM). Não houve registro de incidentes em nenhuma das cidades.

Segundo vestibular indígena teve provas aplicadas neste domingo (1º)

Lana Torres / Arquivo G1

Segundo o coordenador executivo da Comvest, José Alves Freitas Neto, o índice de abstenção é compreensível e esperado, já que os candidatos, muitas vezes, têm dificuldades de locomoção pelas distâncias. "Essa é uma métrica padrão das instituições que fazem vestibulares indígenas", completa.

Mas ele destaca que o número de candidatos que, efetivamente, fizeram a prova triplicou em relação ao ano passado, quando 283 compareceram no vestibular. "Então nós tivemos um acréscimo aí de mais de 600 candidatos."

Além da edição do ano passado, José Alves acredita que a realização da prova em mais cidades e lugares onde a população indígena é maior colaborou para esse aumento. Tabatinga, que registrou o maior número de candidatos fazendo a prova este ano, com 520 (mais de 50%), fica em uma região com maior concentração de indígenas no Estado do Amazonas.

"Nós fizemos em Manaus, no ano passado, e nós percebemos que o número de candidatos foi baixo e os que foram aprovados foi menor ainda. Então nós analisamos os dados e percebemos que boa parte dos ausentes vieram justamente de Tabatinga, e aí era mais fácil a Comvest se deslocar até eles do que o contrário."

Outra mudança deste ano, segundo o coordenador, foi que as provas tiveram horários de aplicação diferenciados, respeitando a hora local de cada cidade. No primeiro vestibular indígena, houve confusão com o fuso horário e muitos candidatos perderam a prova.

Questões contextualizadas com a realidade indígena

A proposta de redação esse ano foi responder uma carta em que o candidato era colocado em um dilema entre atender a sua comunidade usando o conhecimento adquirido no curso ou aceitar uma proposta de emprego em outra localidade.

"Por exemplo, na enfermagem, tinha que responder uma carta a um parente na aldeia dizendo que ele vivia um dilema: ele deveria retornar à aldeia e ajudar com seus conhecimentos, ou considerando o excelente convite que ele recebeu de médicos, se ele deveria integrar essa equipe e ajudar financeiramente a família, porque a proposta de trabalho era muito interessante para ele. Então ele teve que posicionar-se a respeito, da sua escolha, que eu acho que faz parte do dilema desses candidatos", explica José Alves.

Número de candidatos que compareceram neste domingo (1º) triplicou em relação a 2018

Lana Torres/G1

Entre as questões cobradas na prova, que se relacionam com a realidade da população indígena, estavam a diversidade linguística, preservação ambiental da Floresta Amazônica, textos com nomes que são referência na cultura indígena, como o escritor Ailton Krenak, questões que debatiam a medicina da cultura indígena e a clássica, além de questões dos direitos às terras indígenas e reservas.

"Todas as questões foram muito bem contextualizadas a partir das experiências e das realidades desses estudantes", completa.

Calendário

Segundo a comissão organizadora (Comvest), a divulgação dos convocados para matrícula em 1ª chamada e a lista de espera serão publicados no site dela em 6 de janeiro de 2020.

Segundo vestibular indígena

O processo seletivo teve a primeira edição no ano passado com o objetivo de aumentar a inclusão social e a diversidade étnica e cultural na Unicamp. A instituição ofereceu aos candidatos 72 vagas e recebeu 610 inscrições. A prova abordou temas como preconceito e modernização dos povos indígenas e agradou aos candidatos.

Realizado em fase única, este ano o exame teve redação e 50 questões de múltipla escolha, que abordaram Linguagens e Códigos (14 perguntas), Ciências da Natureza (12 perguntas), Matemática (12 questões) e Ciências Humanas (12 perguntas).

No vestibular 2020 são oferecidas 96 vagas. O curso mais concorrido foi enfermagem. Veja a distribuição por número de inscritos:

Enfermagem: 398 inscritos

Farmácia: 165

Pedagogia: 103

Nutrição: 95

Administração: 88

Educação Física: 82

Ciências Biológicas: 55

Administração Pública: 49

Educação Física (noturno): 47

Engenharia Elétrica: 46

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Fonte: G1 - Educação

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